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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sophie Ko Chkheidze I - Tradução do texto de apresentação da exposição


No último sábado, dia 27, estive em Brescia para conhecer a cidade e visitar a abertura da exposição de Sophie Ko Chkheidze, na A+B Contemporary Art. O trabalho de Sophie Ko é muito inspirador, pois repercute uma série de questões bastante contemporâneas, com destaque para a sobrevivência das imagens e os novos regimes cronotópicos agenciados pela arte contemporânea. Achei o texto disponibilizado pela galeria super bonito e bastante elucidativo da poética desenvolvida por Sophie Ko na série Geografie temporali. Enquanto não finalizo minha crítica da exposição, compartilho uma tradução ao português do take one (de autoria não identificada) da exposição.

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"Geografia Temporale (pala d'altare)" pigmento, 245x145cm, 2014.


Pela primeira vez, o espaço da Galeria A+B de Brescia é aberto para acolher uma exposição individual de Sophie Ko Chkheidze (Tbilisi, 1981), artista georgiana que vive e trabalha em Milão. A exposição é acompanhada do texto ad hoc “Finis initium”, do filósofo Federico Ferrari, em 100 impressões numeradas, com uma intervenção da artista sobre cada cópia.

Nesta individual de Sophie Ko apresenta-se a Pala d’altare composta de três painéis, a tetralogia Delle stelle fisse, além de duas obras de pequenas dimensões intituladas Titani e Grembo. Todas estas obras de Sophie Ko – exceto o Grembo, que é um resto não queimado – são Geografie temporali, ou seja, quadros feitos de cinzas de imagens queimadas ou de pigmento puro que constituem o resultado da reflexão da artista sobre as imagens. Há alguns anos, a obra de Sophie Ko centra-se no significado das imagens na nossa vida, no seu valor para o conhecimento, na relação entre imagem e tempo, entre imagem e memória, no valor da imagem do passado. A Geografie temporali, pela força expressiva e pela essencialidade da potencia figurativa, entra em diálogo com os grandes mestres do Renascimento.

A cinza como metamorfose da imagem

As imagens vivem no tempo, não são testemunhas silenciosas; as imagens desaparecem, retornando no tempo e sobrevivendo ao tempo. As imagens trazem consigo um tempo próprio: as imagens falam do tempo em que vivem, mostram-nos o seu desaparecimento, a sua resistência dura ou mesmo um glorioso renascimento na fúria destrutiva da história. No entanto o nosso tempo, como “sociedade do espetáculo”, impõe-se por uma produção hipertrofiada de imagens e é, ao mesmo tempo, o mais cego deles, incapaz de manter uma relação que possa ir além do mero consumo niilista de imagens. Como escreve Federico Ferrari em Finis initium “a cinza é o que resta, aquilo que nos resta” de toda a tradição de imagens do passado. E como observa Ferrari, Pala d’altare, Delle stelle fisse, Titani e Grembo são comparáveis à nossa relação comum com as imagens feitas de “niilismo passivo”, de incapacidade de “conservar as próprias cinzas”, uma forma de pietas.

Uma pietas pelas imagens

A Geografie temporali, portanto, é uma forma de pietas para com as imagens, em direção a nossa história, em direção ao nosso tempo. É a partir destas cinzas – a partir deste nada a que se destina a vida das imagens – que surgem no nosso tempo, que nasce a Geografie temporali, obra que toma forma a partir do resto não queimado das imagens, das cinzas das imagens queimadas. Fogo e cinzas testemunham a destruição das imagens e, ao mesmo tempo, são o que tornam possível a existência da própria imagem. Do fogo nascem as imagens, as cinzas das próprias imagens tornam-se o corpo e a alma de uma imagem ainda não vista, cuja história ainda não está escrita, mas apenas iniciada. A Geografie temporali tenta parar o instante em que a imagem do passado continua a arder, insiste em querer exprimir um sentido, continua a viver, não obstante o consumo em série das imagens, não obstante seu consumo sistemático. A queima da imagem é o que traz a vida passada ao presente, é o crescimento da vida além de qualquer destruição. O fogo é tanto a força destrutiva, quanto a capacidade de resistência que a imagem testemunha pelo preço da própria vida. Assim, a Geografie temporali são novas imagens, feitas de formas mutantes e móveis dos restos não queimados das imagens. As cinzas das imagens queimadas são o fim de uma imagem, mas também um novo começo: a matéria, a cor traça uma “iconografia do não visto” (F. Ferrari), mais uma vez uma imagem que tem um significado para a vida, um retorno à dimensão essencial e elementar da própria imagem. “Não há um fim possível, mas apenas metamorfose sem fim”, observa Federico Ferrari, no texto que acompanha a Geografie temporali.

Perder a durabilidade para ganhar peso

Esta metamorfose infinita das imagens vive na Geografie temporali, que está em contínua e imperceptível transformação. A Geografie temporali é relógio, é clepsidra, símbolos caros à primeira natureza morta, à própria Vanitas, ao próprio Memento mori. Com o passar do tempo a composição do quadro muda, as cinzas caem, o tempo marca sua passagem, mas o tempo que uma Geografie temporali mede com a própria força de sua queda não é apenas o tempo da destruição, do exaurir da vida. A simbologia a que a ampulheta remete, de fato, é dupla: de um lado indica o inexorável terminar da vida, de outro concede ao homem o tempo da meditação, da profundidade, da arte, do ócio; à medida que cresce a areia no fundo da ampola inferior, assim a vida toma forma no seu escorrer, no seu relacionar-se com as forças naturais sem se anular. A Geografia temporali mostra-nos como o tempo perde durabilidade para ganhar peso. Assim o sentido da imagem não se consome. A Geografie temporali coloca em cena essa relação entre tempo e imagem feita de pressão e de destruição do tempo sobre a imagem, mas também de formação, profundidade, renascimento com respeito à fúria destruidora do tempo. A Geografie temporali traz à luz que as imagens não apenas estão sujeitas ao tempo, mas marcam o tempo, dando a ele uma forma, conduzindo-o à visibilidade, dando uma direção ao nosso olhar. Federico Ferrari escreve: “Um espanto sem fim diante de um início que não para de iniciar, a cada instante, aqui e agora, no esplendor da cor, na minhas palavras, nos teus olhos”.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

MNEMÓPOLIS: big data, imagens sobreviventes, memórias insurgentes | projeção de lançamento do Atlas #protestosBR, hoje às 19h, no MediaLab.UFRJ




Hoje teremos a projeção de pré-lançamento do Atlas #protestosBR com as imagens enviadas via ChIPS (Chamada de Imagens Políticas Sobreviventes). Os que ainda não atenderam ao chamado, podem enviar suas imagens aqui e ajudar na montagem deste Atlas.

Abaixo, um brevíssimo texto que escrevi retomando algumas das inquietações que resultaram no projeto.

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No MediaLab.UFRJ, o ano de 2014 começou com um desafio: como pensar/organizar/ver as imagens dos protestos que tomaram as ruas deste país desde junho do ano passado? Em virtude da quantidade e da circulação em fluxos contínuos de tais imagens, inicialmente nos aproximamos das estratégias de visualização de big data (esta grande massa de informação proveniente do desenvolvimento da web, que excede os limites inerentes à cognição humana). Neste sentido, algoritmos são mobilizados para ajudar a visualizar um quadro destas imagens, organizadas a partir de certos padrões de cores ou composição dos quadros ou, ainda, de sua circulação na rede (retweets e compartilhamentos). Em parceria com o Labic, da UFES, realizamos encontros para discutir tais ferramentas e debatermos suas potencialidades e limitações.

Outra referência importante para pensarmos o projeto do Atlas #protestosBR foi o Atlas Mnémosyne, de Aby Warburg. A história da arte proposta por Warburg no começo do século passado foi anacronicamente organizada neste atlas (grandes pranchas nas quais as imagens heterogêneas - fotografias de esculturas, gravuras, selos postais etc - eram montadas a partir da sobrevivência de certos gestos). No dispositivo warburguiano, o intervalo entre as imagens ajudava a vislumbrar um regime de semelhança que sobrevivia ao tempo. Isto o ajudou na formulação de uma história da arte que excedia as noções de estilo e escolas artísticas, e o permitiu avançar com uma leitura das imagens da arte sobre o terreno mais amplo da cultura.

É na tensão entre o fluxo contínuo e o intervalo, que surge o projeto do Atlas #protestosBR, que é baseado na colaboração, através da submissão on-line por qualquer um que tenha interesse, de três imagens dos protestos. Assim, sem a pretensão totalizante de dar conta de todas as imagens dos protestos que circularam na internet, o Atlas #protestosBR configura-se como uma plataforma que constitui uma rede de atores-humanos e imagens (também elas actantes). Mobilizando a memória dos protestos e construindo esta rede colaborativa, a ser publicamente compartilhada na web, o atlas do MediaLab.UFRJ é uma experiência mobilizada por uma aparente insuficiência das ferramentas já disponíveis para lidar com a novidade das formas de mobilização política que atravessaram os protestos e com o estatuto privilegiado da imagem neste cenário

domingo, 8 de junho de 2014

Hoje é o último dia do Dança em Foco: Festival Internacional de Vídeo & Dança | notas sobre dois programas


Anualmente, o Dança em Foco: Festival Internacional de Vídeo & Dança ocupa uma série de espaços na cidade do Rio de Janeiro, promovendo conversas/debates e exibindo trabalhos de videodança. Este ano, o Festival começou na Maison de France, ocupou o Museu de Arte do Rio (MAR) por uma semana e se encerra hoje no Teatro Cacilda Becker. Ontem, finalmente, consegui ir ao festival e assisti a dois programas: Curtas internacionais e O legado de Merce Cunningham. Sobre o primeiro programa, cheguei no final do primeiro vídeo El asesinato de lo real (Chile, 2012), mas pude assistir integralmente a Restraint (Reino Unido, 2013) e ...I said you! (Eslováquia, 2013). 

O que mais chama a atenção na produção, ainda pouco difundida (mesmo entre o público de dança ou de artes visuais), de videodança é o fato de que se trata de um processo de criação artística que é fundamentalmente "interartes" ou "transartes". Ou seja, não se trata de uma "dança filmada", mas de uma coreografia na qual, além dos corpos dos bailarinos, são contemplados movimentos de câmera, edição e sonoplastia. Nenhum privilégio é concedido à dança ou ao vídeo. A câmera é, também, corpo que dança; a edição é, também, coreografia. Como os diretores do Festival escrevem no texto de apresentação da programação deste ano, trata-se de uma "arte em que a dança é feita de vídeo, e o vídeo é feito de dança".


Restraint, dirigido por John Coombes e coreografado por Lucy Bourne & Antonia di Carlo, apresenta três bailarinas dando corpo a três diferentes personagens, cujos movimentos, embora não sejam sincronizados, parecem desdobrar-se de um "espreguiçar" e encontram limites à expansão infinita que, ora são cordas ou o próprio corpo das bailarinas, ora é a edição do vídeo. O que chama a atenção neste trabalho não é um suposto simbolismo dos gestos cuja leitura caberia ao espectador, mas a forma como a edição paralela, que apresenta as três personagens, constrói uma narrativa, a partir do puro movimento e de suas restrições. 

...I said you!, dirigido por Lubica Sopkova e coreografado por Jan Sevcik, é um videodança que se estrutura em dois blocos. No primeiro, em preto e branco, um grupo de homens dança, vestindo preto, sobre um fundo composto por quadrados pretos e brancos, o que promove temporariamente o apagamento dos bailarinos e, a depender da posição da câmera, transforma momentaneamente seus corpos em abstrações. A cuidada composição dos quadros deste primeiro bloco fez lembrar das composições geométricas abstratas que marcaram as artes gráficas modernas. Ao passo que a segunda parte do vídeo, em cores, gravada em um cenário natural, com os mesmos dançarinos usando as mesmas roupas pretas, cria uma atmosfera que remete ao impressionismo. Digo isto pois, neste segundo bloco, aos movimentos dos corpos e das câmeras soma-se uma luz que, menos contrastante do que a que marca a primeira parte do vídeo (preto e branco, quase sem sombras ou cinzas), compõe um quadro que tenta acompanhar o movimento dos bailarinos, à semelhança da relação que o pintor impressionista parece ter com as variações cromáticas provenientes da iluminação natural.


O programa O legado de Merce Cunningham consistiu na exibição de dois trabalhos de Cunningham que, pelas dinâmicas espaciais que apresentam, foram pensados ou recriados para o vídeo. Nos dois trabalhos, o som desempenha um papel crucial. O primeiro, uma comédia, faz uso de uma trilha que atribui um tom cômico aos movimentos, marcando-os, pontuando-os, um pouco como vemos no cinema de um Buster Keaton. O segundo captura e torna audível os sons produzidos pelos próprios movimentos dos dançarinos, as respirações ofegantes, os atritos, as quedas. Esta sonoridade incômoda é tensionada com as belas composições espaço-temporais produzidas pelo deslocamento da câmera de um grupo de bailarinos a outro, do interior ao exterior da locação - a coreografia da câmera redimensiona, divide em camadas, preenche a profundidade de campo lindamente. Além deste trabalho sobre o som e a profundidade de campo, a edição do vídeo intercala imagens de arquivo dos ensaios desta coreografia no desenrolar das imagens que viemos assistindo. Parece haver uma falsa tentativa de construção uma continuidade entre dois momentos de realização do movimento (o ensaio e a apresentação), já que as diferentes materialidades dos registros em vídeo, precária no ensaio e quase transparente na apresentação, curto-circuita e inviabiliza esta continuidade. 

Transcritas e desdobradas as breves notas sobre o que vi ontem, desejo vida longa ao Festival e convido a todos que têm interesses artísticos, acadêmicos ou de qualquer ordem nas relações entre corpo e imagem, e aqueles que simplesmente queiram passar uma tarde/noite aproveitando a oportunidade de assistir belos trabalhos em confortáveis pufes, a darem uma conferida no último dia do festival, hoje, a partir das 14h. O Teatro Cacilda Becker fica na Rua do Catete, 338. A programação pode ser acessada aqui.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Chamada para publicação da Revista Eco.Pós | vol. 17.2. Transformações do visual e do visível


Está aberta, até o dia 20 de junho, a submissão de trabalhos para o segundo número da revista ECO-PÓS, cujo tema é "Transformações do visual e do visível". O periódico aceita trabalhos com autoria de doutores ou em co-autoria com doutores. Mais abaixo, a ementa do dossiê.

Em fluxo contínuo, podem ser feitas submissões para a seção "Perspectivas", que abriga temas livres. A seção "Resenhas" não conta com a restrição de titulação, mas devem ser de títulos com até dois anos de publicação.

O link para submissões é o seguinte: http://www.revistas.ufrj.br/index.php/eco_pos/index 


vol. 17.2. Transformações do visual e do visível

Contemplará estudos sobre as transformações da cultura visual e dos regimes de visibilidade nas sociedades moderna e contemporânea, especialmente aqueles que abordem tais dimensões: as mediações tecnológicas e as reconfigurações da experiência visual; o papel dos dispositivos audiovisuais na construção do olhar; os regimes de historicidade da visualidade; o fetichismo da imagem e a cultura do consumo; a crise do real e a espetacularização; as reconfigurações do público, do privado e do íntimo na sociedade da imagem; as articulações dos regimes de visibilidade midiática com modos contemporâneos de subjetivação; os simulacros, a simulação e a hiper-realidade; a impregnação da imagem na vida cotidiana e as possibilidades de transmutação do imaginário em imagens tangíveis; os hibridismos entre imagens e objetos; as narrativas visuais pós-fotográficas; as diferentes estratégias de produção de “efeitos de real” nos discursos imagéticos; o “ao vivo” e o “tempo real” no telejornalismo e em outras performances da imagem; as articulações e tensões entre o ficcional, o jornalístico e o documental; a cultura participativa e os novos produtores de imagens; as imagens da multidão, da massa e do povo; as disputas pela visibilidade na cultura das celebridades; a política de imagens e as imagens da política; os dispositivos midiáticos nos processos de constituição do visível e do invisível; e, também, as imagens de vigilância, seus dispositivos de controle e a constituição de um novo regime de visualidade.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

7º Encontro Nacional do GT de Estética da ANPOF - de 27 a 29 de maio, na UFF


Àqueles que estiverem pelo Rio/Niterói, recomendo vivamente o evento abaixo. Eu não estarei por aqui, mas vou averiguar se alguma publicação resultará do evento e, caso encontre alguma coisa, posto por aqui. A programação completa pode ser acessada aqui.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

A topologia dinâmica de Gilbert Simondon - apresentação amanhã, às 12:30, na PUC-Rio


Como alguns já sabem, em minha tese de doutorado investigo as chamadas câmeras inteligentes (smart cameras). Amanhã apresento uma parte do que será o terceiro capítulo da tese na Semana Acadêmica de Filosofia da PUC-Rio. A partir de alguns contextos de utilização das smart câmeras - sobretudo aqueles em que a ação das câmeras inteligentes prescindem da visualização de imagens por atores humanos (um exemplo do que estou falando pode ser visto aqui) -, pareceu-me oportuno investigar o estatuto destas imagens com respeito às relações topológicas que estabelecem com o que é diferente delas, seja o contexto que elas monitoram, seja, em um plano mais especulativo, com todas as demais imagens do mundo.


A concepção de imagem como representação e, neste sentido, exterior e segunda em relação ao objeto representado parece insuficiente para dar conta das câmeras inteligentes, que são operativas, performativas e pró-ativas. Por conta disso, a topologia relativa proposta por Gilbert Simondon pareceu uma porta de entrada interessante para reivindicar a contiguidade das imagens inteligentes ao mundo. Embora já tivesse lido Simondon, só percebi a rentabilidade de sua topologia para pensar nas inflexões contemporâneas da técnica a partir deste artigo de Fernanda Bruno.

Na apresentação de daqui a pouco só falarei das câmeras inteligentes para introduzir o contexto a partir do qual Simondon me interessa. Me deterei mais em sua filosofia da individuação que, sendo tão complexa, é sempre um desafio pelo esforço de clareza requerido. Abaixo, uma pequena amostra do que propõe Simondon:

Recusando uma topologia que suponha um interior e um exterior absolutos, Simondon propõe, no domínio da individuação do organismo vivo, diversas camadas de interioridade e de exterioridade: “o espaço das cavidades digestivas é uma exterioridade em relação ao sangue que irriga as paredes intestinais; mas o sangue é por sua vez um meio de exterioridade em relação às glândulas de secreção interna que derramam os produtos de sua atividade no sangue”. Dentro e fora, interior e exterior são, portanto, forjados através de uma “mediação transdutiva de interioridades e exterioridades”. Esta topologia inscreve no vivo uma heterocronia que não coincide com a experiência linear do tempo subjacente às abordagens substancialistas e hilemórficas do ser individuado. O espaço interior aparece como a cristalização de uma sucessão temporal passada, na medida em que, o que foi produzido pela individuação no passado integra o conteúdo do espaço interior que, por sua vez, está em contato com o conteúdo do espaço exterior, que pode advir. A exterioridade é, assim, um futuro e o presente é, por fim, “esta metaestabilidade da relação entre interior e exterior, entre passado e futuro", relação que caracteriza os processos de individuação.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Thomas Levin no Rio de Janeiro - 23/05 na ESDI (UERJ)



Thomas Levin, um teórico da imagem - e, atualmente, do som também - extremamente inspirador, que teve sua vinda ao Rio em 2011 cancelada (para o Seminário Linguagens Itinerantes da Fotografia em 2011, quem lembra?) finalmente virá falar para o público carioca.

No seminário intitulado "Reading Glitch", Thomas Levin abordará uma determinada “estética do defeito”, analisando filmes e clips musicais em que o processo de compressão e descompressão das imagens em movimento trazem tanto novas gramáticas visuais como questões referentes aos meios artísticos. Rica em exemplos, a palestra se dirige a todos os que se interessam pela imagem contemporânea e suas relações com tecnologias do presente e do passado. Seminário aberto ao público e grátis.

Thomas falará em inglês mas entenderá perguntas e comentários em português.

Thomas Y. Levin
É professor de teoria e história da mídia, teoria cultural, história das idéias e estética na Princeton University, EUA. Tem ensaios publicados na October, Grey Room, New German Critique, Screen, The Yale Journal of Criticism, Musical Quarterly, entre outras publicações. Traduziu e editou três livros sobre o trabalho do teórico Siegfried Kracauer, incluindo a edição crítica de The Mass Ornament: Weimar Essays (Harvard UP, 1995). Foi parte do grupo curatorial responsável pela primeira exposição da Internacional Situacionista no Centro Pompidou, ICA London e ICA Boston em 1989. Levin também concebeu e foi curador da exposição CTRL [SPACE], Rhetorics of Surveillance from Bentham to Big Brother, inaugurada no ZKM Center for Art and Media Technology, em Karlsruhe, em outubro de 2001 e editou o catálogo do mesmo título (com Ursula Frohne e Peter Weibel), publicado pela MIT Press no ano seguinte. Está atualmente envolvido em pesquisas referentes ao correio sonoro em midias analógicas e estéticas alternativas trazidas pelas novas tecnologias.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Call for Papers: ‘Situating Simondon: media and technics’

Platform: Journal of Media and Communication
An interdisciplinary journal for early career researchers and graduate students

Volume editors: Thomas Sutherland and Scott Wark
Abstract submissions due: 1st of May, 2014
Full paper submissions due: 1st of July, 2014


Abetted by a paucity of translations, the work of Gilbert Simondon has remained relatively obscure in the Anglophone world for some time. Simondon is, however, finally – if somewhat belatedly – finding the appreciation amongst English-speaking readers that had eluded him for so long. Although Simondon’s work is probably most recognised today for its influence upon Gilles Deleuze and Bernard Stiegler, its scope is far greater than one might surmise on the basis of such associations.

Amongst many other topics, Simondon’s philosophy focuses quite heavily upon questions related to technology, communication, mediation, and information. It is these areas in particular that we hope to explore in this special section of Platform. How might we situate the theories of Simondon within our contemporary media environment? Are they still relevant? Or are they too reliant upon outmoded principles and theoretical models? What lessons, both theoretical and practical, might researchers in the fields of communication and media studies take from Simondon’s philosophy? How might we extend or update his work for the digital, networked society?

Platform encourages the submission of theoretical and empirical work engaging with Simondon and his legacy. We are particularly interested in papers that seek to situate Simondon’s work, both historically and within the disciplinary boundaries of media and communications. Potential themes might include, but are not limited to:

• Technological determinism in an age of digitization and unprecedented automation. Does Simondon provide us with a useful means for negotiating the question of agency in such an environment, or is he too beholden to the cybernetics and information theory of his time?

• Individuation and the associated milieu. Have subsequent media forms and communicative methods altered or halted the processes of individuation of which Simondon speaks?

• Media ecology. Some strands of media ecological study stress the dynamism and complexity of media-technical systems. How does Simondon’s understanding of technology challenge or deepen these approaches?

• Materiality and hylomorphism. At a time when communication appears increasingly immaterial, how might we understand Simondon’s attempt to escape all hylomorphic conceptions of communication and individuation? Does the notion of immateriality remain trapped within a hylomorphic distinction between form and matter, or is it indicative of a need to reconceptualise the very question of materiality?

• Technics and media. How does Simondon’s work fit within the larger field of studies on technics and its history (e.g. Mumford, Leroi-Gourhan, Ellul, Gille, Stiegler, etc.)? Might media and communications as a discipline benefit from a greater emphasis upon the role of technics in engendering media environments both past and present?

• The politics of individuation. Stiegler, Lefebvre and Mackenzie, amongst others, use Simondon’s work on transduction and individuation to describe and diagnose politics. How might Simondon help us think politics today?

In addition to this special section, we also welcome submissions that more broadly deal with issues relating to the areas of media, technology, and communication in theoretical, methodological, or empirical terms.

Please send all enquiries and submissions to platformjmc@gmail.com. Both abstracts and full papers must be accompanied by a brief curriculum vitae and biographical note.

We recommend that prospective authors submit abstracts well before the abstract deadline of the 1st of May, 2014, in order to allow for feedback and suggestions from the editors. All submissions should be from early career researchers (defined as being within a few years of completing their PhD) or current graduate students undertaking their Masters, PhD, or international equivalent.

All eligible submissions will be sent for double-blind peer-review. Early submission is highly encouraged as the review process will commence on submission.

Note: Please read the submission guidelines before submitting work. Submissions received not in house style will not be accepted and authors will be asked resubmit their work with the correct formatting before it is sent for review.

Platform: Journal of Media and Communication is a fully refereed, open-access online graduate journal. Founded and published by the School of Culture and Communication at the University of Melbourne (Australia), Platform was launched in November 2008.

Platform is refereed by an international board of established and emerging scholars working across diverse fields in media and communication studies, and is edited by graduate students at the University of Melbourne.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

As descrições confiantes de Wang Bing e Georges Didi-Huberman




Estão disponíveis na página do Centre Pompidou as conferências do ciclo Hors-Je, organizado por Georges Didi-Huberman. Acabei de ouvir a conferência (ou descrição, como prefere o historiador da arte) sobre "O homem sem nome", de Wang Bing e recomendo vivamente a todos aqueles que estão  pensando/produzindo as novas "imagens do povo".

O filme de Bing e a conferência de Didi-Huberman apostam metodologicamente em uma "descrição com confiança", confiança no olhar. Tal gesto do cineasta inscreve "O homem sem nome" fora da lógica que o historiador da arte detecta no cinema de um modo geral e que consiste na precedência do cineasta em relação ao ser filmado, precedência esta fundada por um gesto eticamente falho dos cineastas.

Outra potente reivindicação de Huberman é que a extraterritorialidade, no filme de Bing, não se encontra fora do mundo, o que ele desenvolve sublinhando o quanto o silêncio e a solidão são uma tomada de posição. Neste sentido, o respeito aos gestos e ao silêncio do "homem sem nome" do filme de Bing acolhe a pobreza registrando-a transformada em experiência.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

#AMANHÃ Conferência "O método ator-rede", por Tommaso Venturini na UFRJ (Praia Vermelha)


A convite do MediaLab. UFRJ, o pesquisador do Médialab da Universidade Sciences Po, de Paris, fará uma conferência aberta no dia 23 de agosto, às 15h, no auditório Manoel Maurício do CFCH/UFRJ, que fica no Campus Praia Vermelha. A conferência será em inglês, mas haverá tradução simultânea.


O website pessoal do pesquisador merece uma visita http://www.tommasoventurini.it/

Alguns de seus textos podem ser consultados nos links abaixo:

Venturini, T. (2010). Diving in magma: how to explore controversies with actor-network theory. Public Understanding of Science, 19(3), 258–273.
http://www.tommasoventurini.it/wp/wp-content/uploads/2011/08/DivingInMagma.pdf

Venturini, T. (2012). Building on faults: how to represent controversies with digital methods. Public Understanding of Science, 21(7), 796 – 812. 

Venturini, T., & Guido, D. (2012). Once Upon a Text : an ANT Tale in Text Analysis. Sociologica, 3.
http://www.tommasoventurini.it/wp/wp-content/uploads/2013/05/Venturini_Guido-Once_Upon_A_Text.pdf

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